De volta as origens!!!
O retorno do blog, das lendas, dos causos, dos mortos as centenas da fatídica Coluna Prestes e de tantas outras histórias...
Dionísio Cerqueira merece, estamos de volta
O velho histórico de sempre as atualidades e mais...
E assim era nossa cidade a muito muito tempo atrás, Linha Separação, Dionísio Cerqueira SC dia 24 de março de 1925, ao entardecer...
... por onde a gente olha enxerga vasta mata com araucárias que se perpetuam diante de nós. O horizonte se apresenta incerto, o medo de seguir adiante é constante, e para matar o inimigo é preciso atirar indisciplinadamente, na vegetação que pode ser o esconderijo do oponente. Roçar a selva com milhares de tiros de fuzis e metralhadoras, fazer tombar o inimigo a qualquer custo e acabar com a incidência revolucionária de Luís Carlos Prestes.
Essa poderia ser a imagem visual e mental dos Capitães Claudino Nunes e Paim Filho, dos seus soldados e dos 200 combatentes que morreram no confronto entre as forças legalistas que se encontraram onde atualmente é a comunidade da Separação, na época parte da região Maria Preta, atravessando a sangrenta noite de terça-feira de 24 de março de 1925. Com certeza aquela foi uma "noite sem fim" para muitos soldados, e o "inferno" para centenas de outros que se depararam, ao sentirem o vento fresco do alvorecer, de estarem saboreando a própria derrota em uma luta fatídica entre companheiros.
Centenas de homens em uma caçada sangrenta em mata fechada: A memória de barraconenses e cerqueirenses não chega mais a eternizar as lendas da batalha daquela terça-feira, 100 anos atrás. Entretanto, a história ainda fragmenta a guerrilha Tenentista no Oeste de Santa Catarina e do Sudoeste do Paraná. Na época a região da tri-fronteira era composta de intensa mata virgem, que era explorada por argentinos e paraguaios na extração de araucárias e erva-mate. A Separação está na divisa entre os dois Estados, e a batalha se deu ali, menos de 500 metros adentro do lado catarinense.
A Coluna Revolucionária de Prestes se defrontou com as forças legalistas do governo de Arthur Bernardes, em um grande combate nas proximidades do Rio Maria Preta, na atual comunidade da Linha Maria Preta, interior de Dionísio Cerqueira, na época um vilarejo conhecido como Barracão. Em trincheiras, que até pouco tempo podiam ser vistas, morreram muitos soldados e revolucionários, restos e fragmentos encontrados em 1950, foram encaminhados ao CTG de São Miguel do Oeste;
De um lado, cerca de 800 homens de Prestes e, de outro, mais de 1500 homens sob o comando de Claudino Nunes, da Brigada do Rio Grande. Por meio de seguras fontes, Prestes sabia da vinda da Força Militar Ferroviária do General Paim Filho, com a intenção de surpreendê-los em todos os lados em uma emboscada mortal. Então, como já percebido que sua guerrilha não podia ser de posição e sim de movimento, fez uma escaramuça e se retirou em direção ao que hoje seria a comunidade de linha Toldo, onde reforços o aguardavam, pois juntar-se-iam à Coluna Revolucionária, as tropas de Fidêncio de Mello.
Para um obcecado desejo, uma inesperada surpresa: Assim o voluntarioso Capitão Claudino estava obcecado na busca da cabeça de Prestes, e partiu com sua tropa em uma perseguição em meio à mata, subindo pelas picadas a íngreme serra da Maria Preta.
Naquele tempo, sem estradas e com mata fechada, era uma missão dificílima enfrentar uma serra como aquela, mas todos os envolvidos nesta história eram extremamente habilidosos nisto. Já estava escuro quando chegaram ao topo e os soldados se depararam com um vale, e se posicionaram sobre uma grande colina, já aberta pelos madeireiros argentinos.
Hoje, este local pode ser visitado facilmente, pois fica ao lado da hípica, onde são as terras de Luiz Colombo, cujo pai era filho/criado de Mário Cláudio Turra, um dos primeiros moradores da tri-fronteira e também madeireiro e fundador da vila que é hoje o distrito de Idamar, nome a este dado em homenagem Mário e sua esposa Ida. A Coluna Prestes, fugindo das tropas do Capitão Claudino, no início da noite se deparou com a do Capitão Paim Filho, se aproximando com mais de 70 homens chefiados por Cordeiro de Farias. Prestes se viu encurralado, como estava previsto acontecer. Mas estrategicamente ou não Prestes percebeu que o pior poderia lhe acontecer e organizou uma retirada, e articular rapidamente uma saída. Deixou de colocar Dionísio Cerqueira no mapa como sendo o local da morte do líder revolucionário e retirou seus homens silenciosamente, possivelmente atravessando uma área de banhado, bem no centro do vale, deixando os dois contingentes militares frete-a frente, há uns 800 metros de distância, um em cada colina.
Com o mínimo de estimulo ou equivoco, os obcecados Capitães autorizariam as suas artilharias iniciarem a sangrenta batalha que atravessaria a noite escura e resultaria em mais de 200 mortos e outros tantos feridos. Foi este episódio que criou a lenda de Prestes, de ter um talento militar inigualável e fazer-se vitorioso em batalhas sem sequer disparar um tiro.
Fragmentos de uma batalha monumental dão luz a possíveis verdades: Hoje, 99 anos depois, é possível encontrar no local, centenas de cápsulas de fuzis e fragmentos de armas. Estudos de registros da época, dão conta que foram gastos mais de 200 mil tiros. Luiz Colombo, empresário, que cresceu naquelas terras juntando latões de cápsulas deflagradas e intactas, guarda em sua casa parte de uma encilha de prata, achado em meio às lavouras de soja. "Os mais antigos e meu pai chegaram a ver muitas cruzes nesta região, em lotes de cinco ou seis há relevantes distâncias", comentou Colombo. De fato, há alguns estudos sobre este confronto que trazer luz sobre algumas "possíveis verdades".
Primeiro, são vários livros que dizem que morreram mais de 200 soldados, e não 30 ou 40 como algumas matérias publicadas na imprensa regional, ao longo dos anos, divulgaram. O premiado livro "A noite das grandes fogueiras", do jornalista da Globo, Domingos Meirelles, destina quase um capítulo a esta batalha, enfatizando os 200 mortos.
Pesquisas de universitários gaúchos, cujos detalhes não dispomos, mas que temos algumas informações, apresentaram uma versão de que os 200 mortos foram sepultados em vários cemitérios clandestinos, sinalizados com cruzes de madeira, muitos deles em regiões altas, onde estavam postados os batalhões militares durante a batalha.
A perpetuação de um dos maiores erros militares da nossa história: O tempo consumiu as cruzes, as lembranças não existem mais, pois os que viveram aquele confronto já não estão mais vivos, nem mesmo Luiz Carlos Prestes, que na época tinha 25 anos e morreu com mais de 90 anos, contava maiores detalhes.
Resta apenas um cruzeiro de toscos palanques de madeiras, atualmente pintados à cal, que cercam uma área de 3x5 metros. Apenas aquilo para perpetuar o equivocado combate de Separação, que foi certamente um dos maiores erros da ação militar na história brasileira.
Só resta aquele cercadinho para que os cavaleiros na Semana Farroupilha possam parar e fazer orações silenciosas em meio ao descampado. Para encerrar outro fato de importância histórica deve ser ressaltado aqui; no ano de 1990 seu João Oviedo Farias na época proprietário do local recebeu em sua casa o Sr. Luiz Carlos Prestes, que lhe disse que tinha vindo visitar os companheiros de batalha que estavam enterrados no pequeno cemitério, próximo a sua casa. Lhe disse que mandaria dinheiro para que construísse um museu no local. Prestes faleceu no mesmo ano em que visitou os lugares onde havia passado comandando a coluna. O tempo está passando e logo não restará mais nada para propagar o que aconteceu. (Por Cleiton Weizenmann e Luiz Veronese)
Dias atuais
Deste o ano de 2008 a entidade cuida e mantem o local encontrou muitas dificuldades financeiras ao longo deste período a também alguns parceiros como a equipe de detectorismo oeste catarinenses que ajudaram e muito em expedições realizadas com equipamentos para encontrar artefatos do combate utensílios usados por eles, hoje utilizando esses equipamentos pasmem ainda podem ser encontrados centenas de capsulas e outros materiais dos combates, nos anos de 2017 e 2023 e também 2024 foram realizados eventos que encontraram uma enorme quantidade de materiais o que mostra o tamanho da ferocidade da batalha.
O ano de 2024 marcou uma mudança radical neste local que necessitava de melhorias a entidade foi atrás e conseguiu patrocínio de uma empresa particular de Dionísio Cerqueira SC a LPD Negócios internacionais e logística que juntamente com a comarca de Dionísio Cerqueira foram os incentivadores do projeto de reformulação do local sair do papel.
A entidade com seus parceiros rebocou os muros que protegiam o local, reformou o portal de entrada fez um piso de concreto polido fez um trabalho de resina na cruz de guajuvira preta que ali permanecia a 99 anos demarcando aquele local histórico, dentro da cruz resinada em uma caixa estão os fragmentos encontrados do combate. Ainda foi feito uma pintura e embelezamento do local e substituição das placas explicativas que ajudam e muito os turistas e estudantes que ali frequentam conhecerem melhor a passagem.
Nas reformas realizadas neste ano o Nacional faz justa homenagem a Ezidro Nardes dando seu nome ao local; Ezidro era o último combatente ainda vivo que lutou na Coluna Prestes que se tinha notícias, ele a época com menos de 13 anos de idade foi recrutado no Rio Grande do Sul e aqui se perdeu de seus pais e soldados da tropa em meio a mata, ficando no município onde constituiu família e nunca mais saiu, faleceu neste ano de 2024 a poucos dias do local em que combateu completar 99 anos, Ezidro com idade avançada de 114 anos (faltava meses para completar 115) deixou vasta família e 31 filhos.
Obs. A data de hoje 15 de novembro marca o aniversário de 20 anos da associação Nacional bem como o aniversário de seu Ezidro e o recomeço deste blog.
Este blog tem caráter semiamador, serão utilizados referências bibliográficas, citadas fontes e feito um trabalho dentro do que as condições permitirem, a escrita não é de caráter profissional não é esta a intenção, terá erros ortográficos sim, acentuação e concordância sim, a leitura pode não ser a desejada usaremos uma linguagem informal e própria de quem escreve, nossa entidade e de nossa região e população; e toda semana um novo conteúdo histórias de nossa amada terra, fatos históricos, fotos, curiosidades e tudo mais, enfim,
espero que gostem e divulguem a todos, próximo post fotos do local do combate no passar do tempo!!!
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