O pistoleiro Raul Teixeira do Amaral (PARTE I).

Raul Teixeira do Amaral 

A saga do pistoleiro mais famoso da fronteira!!! 


Foto de Raul Teixeira em Porto Alegre RS, Fonte: Acervo da entidade.

          A partir do hoje nosso blog trará uma serie de postagens sobre a vida e a trajetória de Raul Teixeira do Amaral o pistoleiro mais famoso de nossa fronteira, teria sido ele um fora da lei como muitos afirmam ou um defensor dos oprimidos? A partir de hoje vamos trazer o estudo de sua vida e buscar juntos com familiares e depoimentos juntar documentos e tudo que possa a fim de manter viva mais essa história da nossa amada Dionísio Cerqueira. 

          A justiça inoperante do início do século XX, o vazio judiciário de uma região inteira sua fragilidade e descaso, bandidos foragidos e criminosos a saga de uma população local. A grande maioria das disposições elencadas neste relato são relativas ao poder judiciário e alavancou a história do personagem narrado suas lendas causos permeiam até os dias de hoje a vida dos moradores de Dionísio Cerqueira onde pelos crimes e pela impunidade em questão.

Não poderia deixar de figurar em nosso blog o relato e estudo que a partir deste um breve relato da saga e vida desta personalidade marcante entranhada no povo do município, pois ele é daqueles que deixam uma marca na história. Nada havendo que conte de seu nascimento e infância traz-se a narrativa de seus feitos. Suas façanhas eram relatadas por toda a região por onde passou desde Xanxerê até Dionísio Cerqueira, matou muita gente e com o tempo sua valentia virou lenda o medo e a alta periculosidade permeava a vida dos moradores. Porem depois de muitos anos vivendo em Dionísio Cerqueira se escondendo e sendo perseguido pela polícia, Raul teve seu fim em uma emboscada feita por um delegado especial vindo de Florianópolis com a ajuda de vinte e dois policiais, esse era o fim de Raul Teixeira do Amaral.

O escritor Gilberto Schreiner Pereira em seu livro As Cidades Gêmeas assim relata Raul Teixeira sobre sua personalidade, Pereira (2004, p. 184):

 

No entanto, de temperamento forte e justiceiro, sua sina parecia ser o caminho do crime. Não deixava um amigo seu ser matado em uma briga, mesmo que nada tivesse a ver com o entrevero. Ficava observando tudo, oitavado num canto e sua figura alta e possante se agigantava ainda mais. Era um taura. Olhar atento a tudo, sacava rápido seu “44”, deflagrava um só tiro em quem estivesse apontando a arma para um seu amigo. Não erava um milímetro. Com a mesma rapidez com que sacara, recolhia imediatamente seu revólver ainda fumegante. Ninguém via de onde partira o tiro. A briga cessava e mais um cadáver era recolhido. Preso, desafiava a polícia a que lhe dessem algumas balas e que podiam começar a atirar nele. Ninguém topava o desafio. 

A situação de medo e de injustiça vivido pela população é narrada no livro Aos Espanhóis Confinantes que relata a viagem do então governador de Santa Catarina que fez a cavalo o trajeto de Florianópolis a Dionísio Cerqueira e chegando ao povoado ficou horrorizado com situações de assassinatos a ele trazidos, sobre o espanto ali visto assim narra o escritor a visão do governador, D´EÇA (1992, p. 105):

“Fiquei alojado no sótão de uma casa que serve de deposito para erva mate e tem, no res do chão, um balcão manchado de sangue humano”.

A derradeira história de Raul Teixeira não poderia terminar de outra forma a não ser pela violência, fora nomeado um policial especial para cuidar do caso, após a recusa de muitos policiais em aceitar o convite o então Capitão Guinter de Florianópolis finalmente aceitou a tarefa de dar fim e atender a suplica da população local Raul foi emboscado e morto no interior do município de Dionísio Cerqueira, numa comunidade denominada Tracutinga, a saga da morte de Raul Teixeira é retratada por Francisco Salvadori em sua obra Fim de Semana que conta como foi feita todo o aparato de perseguição e assim narrava Raul ao saber de que a polícia estava em seu encalço, Salvadori (2004, p.7):

 

Não tenho medo! Mamãe que ta no ceu não me fez pra ter medo de milico de bosta nenhum. Rezem por mim e daqui a duas semanas nos encontramos no Tucumã, pra beber uns tragos e arrastá umas muié. Caso der errado, se encontramos no inferno. Com a graça de Deus, indiada!

          Assim era a personalidade forte e destemida de Raul Teixeira, que mesmo perseguido pela lei não demostrava nenhum tipo de medo.

            Sobre a presença das leis e a implantação das primeiras comarcas, a obra de Aruanã Antônio dos Passos intitulada História de Sangue e Dor, trata de questão do vazio demográfico que existia na região Sudoeste do Paraná e Oeste Catarinense, o autor tratou de temas que são obrigatórios nesta pesquisa como a fragilidade da justiça e da lei, (PASSOS, 2003, p. 50).

 

Se nas décadas posteriores ao surgimento oficial de grande parte dos municípios do Sudoeste encontramos uma série de dispositivos que funcionam como construtores de uma identidade regional visando a objetivação das forças em nome do progresso regional, podemos afirmar que os diversos aparelhos governamentais – do aparelho de justiça as colônias agrícolas e militares – iniciam a ordenação e o domínio espacial com o mesmo proposito e juntamente com ele a preocupação de governar essa população.

A comarca de Dionísio Cerqueira foi criada e instalada em 1962, no governo de Celso Ramos e foi a partir daí que os crimes cometidos desencadeada mente por pistoleiros e foras da lei começaram a ser punidos e investigados o que começou a trazer a paz e a ordem a população local.

 

Continua..........

 

 

 


 

 

 

 

 

 

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Por *
Cleiton Weizenmann 
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